segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Razão de viver

2 comentários:
 

Eu sentia a leve brisa beijar meus cabelos, o perfume das flores era intenso tudo parecia silencioso.
Olhei fundo em seu rosto imóvel e senti uma lágrima cair, sentia uma horrível sensação, olhar para ele me matava aos poucos, nunca o tinha visto tão sereno e ao mesmo tempo tão sombrio, senti o arrepio percorrer minha espinha e as borboletas no estômago deram lugar para um enorme vazio.
Segurei suas mãos, essa seria a última vez, tremi.
Meu amor tinha sido arrancado. Por que comigo? Essa era a única dúvida que preenhia meus pensamentos, segurei um soluço.
Davi, meu Davi, preso numa realidade cruel, distante de mim. Senti minhas pernas cambalearem ao olhar para aquele caixão preto e extremamente brilhante, meu amor tinha sido levado de mim, meu mundo desmoronou, já não existia mais coração, pois ele o levou quando deu seu último suspiro, já não conseguia segurar toda a dor, desabei.
Seus lábios ainda que gelados tinham um leve sorriso, não era o meu favorito, mas me fez lembrar das longas tardes que passávamos na varanda olhando para as estrelas, Davi sempre dizia que eu era uma delas, bobo, foi ali que eu tive a certeza de que nunca mais ouviria sua risada, sim, aquela risada contagiante e espontânea, novamente o vazio percorreu meu corpo.
Eu estava perdendo o chão, não conseguia respirar, minha razão de viver não existia mais, quanto mais as lembranças se acumulavam mais ofegante eu me tornava, suspirei fundo e sequei meu rosto molhado com dificuldade, estava cada vez mais difícil acreditar em como nada mais faria sentido, como eu viveria sem ele?
Caí de joelhos, eu só podia ouvir meus soluços e seu silêncio, como eu viveria sem ouvir sua voz?
Não me contive.
- Me leve com você meu amor – eu gritei com todas as forças possíveis.
O silêncio permaneceu. Nunca mais sentiria seus lábios juntos aos meus, seu toque suave na minha pele e nunca mais ouviria “eu te amo” da sua boca.
Eu queria morrer, não suportaria viver num mundo onde ele não existisse.
- Preciso de você, meu ar, minha vida e meu coração você os levou! – eu insistia em gritar com a dor enorme corroendo meu peito.
Me entreguei a dor, meu corpo entorpecido caiu, eu podia ver as nuvens e os pássaros, eu tinha me entregado, estava caída no chão derrotada.
Fechei os olhos.
Ouvi sua voz, gemi, eu estava tendo alucinações? Só podia ser.
- Você está bem? – Davi insistia.
Eu chorava, e forçava meus olhos a se manterem fechados.
- Isso não é justo, não quero ouvir sua voz, não posso te ter. – eu gritava.
- Mônica, o que há? – sentia preocupação em sua voz, eu não iria responder.
- Isso não real, não é real, me deixe – eu alterei ainda mais o tom da voz.
Senti seus braços me envolverem num abraço. Se aquilo fosse o céu eu queria estar para sempre em seus braços.
Seus lábios tocaram meu nariz e aos poucos abri os olhos, seu rosto preocupado mudou de feição, seu sorriso cresceu e eu como uma criança a procura de colo me sugurei no seu pescoço e o beijei, senti suas mãos ao redor do meu corpo e uma lágrima caiu de leve dos meus olhos, nada poderia tirá-lo de mim, não ali, não agora. Tudo não tinha passado de um pesadelo, suspirei aliviada.

Beijos :*
Eli

2 comentários:

  1. Sinceramente um texto lindo, de uma sensibilidade enorme,com um vocubulário amplo e direto, e com aquela pitada intrigante de curiosidade...
    Parabéns Lih, um texto ótimo!

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