domingo, 17 de novembro de 2013

Ego destruído

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Logo depois de voltar daquele café - sozinha - senti a enorme necessidade de jogar um pouco de conversa fora, discutir sobre cultura e até me arriscar no assunto política, revirei a lista telefônica e conforme os nomes surgiam lembrei que a quantidade de pessoas disponíveis e conhecidas para conversar em uma tarde de domingo era limitado, quase inexistente ouso dizer. Senti a solidão bater com força na porta do meu apartamento naquela tarde, fui pega por uma nostalgia deprimente quando comecei a olhar fotos antigas no notebook, a vida já tinha sido muito mais agradável em outros tempos, eu já tinha sido uma companhia melhor.

Enquanto olhava foto por foto, me recordava de que tudo tinha sido mais fácil, ou quem sabe difícil, a maior diferença estava no modo que agia. Realmente, nunca fui um exemplo de pessoa em questão de relacionamentos, tanto no quesito amor quanto nas amizades, desde sempre um desastre. 

Nunca gostei de dizer "bom dia", "como vai?" ou o clichê "eu também te amo", mas como vivemos em uma realidade onde sorrisos falsos estampam rostos tristes acabei tendo que me adaptar, se não pode com eles junte-se à eles. Comecei com sorrisos amarelos, abraços com revirar de olhos, apertos sujos de mãos e beijos obrigados, tudo feito à contra gosto.

 Tive amigos e companheiros que realmente se importavam - ou tanto faz - e as vezes até conseguia oferecer reciprocidade. Outros já buscam mostrar que supostamente se importam, insistem em festas surpresas, sorrisinhos irônicos munidos de deboche, utensílios de cozinha, colares, anéis de ouro, se eles soubessem o quanto desteto anéis de ouro. Para não dizer que sou de um todo isolada eu até que gostava de alguns mimos, gestos e surpresas, porque em alguns momentos eu não precisava fingir nada, soltava uma piadinha infame aqui, outra lá, Deus, como é boa a sensação de ser você mesma.

Infelizmente cansei das mesmas pessoas, das mesmas coisas, dos mesmos gostos. Fui diminuindo o uso dos sorrisos, dos olhares, dos abraços e dos beijos, até chegar em um ponto onde isso era quase inexistente, onde o barulho da torneira pingando era um dos poucos ruídos que tinha a oportunidade de ouvir no apartamento. Escutei muitas músicas e escrevi muitas cartas que nunca foram entregues, maldita nostalgia. No fim era apenas eu, eu e meu ego destruído.


O texto de hoje foi escrito em parceria com um amigo, Pablo Silva ah garotos que escrevem, espero que tenham gostado.

Beijo :*
Elis
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